quinta-feira, 20 de outubro de 2011

EM CIMA DO SALTO (série mulher VI )







Com graça sofisticada
Aos teus pés te reverencio
Destaco,
realço
e calço
O teu bom gosto em que confio

Acompanho delicados passos
Daquela que me quer
Invisto,
insisto,
nessa ousadia
Em que se destaca uma mulher

Apurado prazer que,
liberta com maestria
 Na autenticidade que revela
A segurança de um salto
 Faz com que desafie uma passarela

No equilíbrio que me consentes
Reluzo nessa malícia
Audaciosa,
fugas,

...Sabendo-se da magia
que envolve cada mulher
Onde não poderia ser o contrário
Ressaltando a evidência da elegância
Quando tira um salto alto do seu armário!


Mônica Pamplona.

A PSICOSSOMÁTICA DO IDOSO ( artigo)

    Um artigo que foi postado na PEAPAZ, por um escritor que muito admiro ANtÔNIO CARLOS GOMES. Suas palavras ecoam brilhantemente, e destacam-se pela relevância do tema. 




A doença é a ausência do objeto.
O menino adoece pela perda de seu cachorro, e este adoece pela ausência de seu dono.
Pergunto: Quantas perdas têm o idoso?
Tem a perda da voz, a sonora, a da visão límpida, da destreza das mãos; do desembaraço do andar; de seus pais, irmãos, amigos; de sua independência; de sua individualidade; da auto satisfação, da auto emancipação e por aí à fora.
Sobraram-lhe seus objetos apenas. Velhas relíquias muito valiosas que preenchem uma ausência. Cada perda lhe é compensada num objeto, sendo que, nós com toda nossa racionalidade, chamamos mania! Cada fato é relembrado, recordado, novamente repetido com medo que se perca completamente e não existam objetos para substituí-los: Fecha a porta que tem ladrão! E o chamamos ranzinza e não conseguimos ver que o ladrão está lá, entrando, roubando-lhe uma recordação. E se preocupa, se esquece, se lembra... Torna a esquecer. Cadê meu chaveiro azul? Cadê meu chaveiro azul? Cadê meu chaveiro azul? Dizemos: está esclerosado! Não vemos que fala das chaves de suas lembranças.

Pouco a pouco, por não ser entendido, afasta-se de nós. E, nós? Ah! Nos também não entendemos e afastamo-nos. Conversar o quê? Para nos contar que fulano morreu? Isto não interessa! Ele está ranzinza, esclerosado, maníaco, um chato! Este é o inicio da doença. É a perda do objeto.
O coração já fraco pela idade enfraquece mais ainda pela perda da vontade. O rim se cansa de eliminar sua urina e a próstata em rebelião fecha a passagem. O pulmão não quer mais o ar e o intestino recusa-se a eliminar seu interior.
Os especialistas se sucedem. –Se não se entende a idade, que se entenda a doença. E em fórmulas magistrais comercializadas: Digoxina, Lasix, Diabinese, Hydergine, Nootropil, Diazepan e muitas outras, todos se reúnem: família, médicos, medicamentos e ausências. As pílulas mágicas transformam-se, na tentativa de reintroduzir as ausências e a família angustiada, desesperada e impotente, é simbolicamente ingerida com elas. Tudo em vão.
Neste quadro todo faltou uma presença apenas: A palavra. Não a palavra dos familiares atônitos e desorientados diante da doença; não a palavra do especialista, técnico em aparelhos específicos, mas uma palavra além das formulas magistrais: A palavra do entendimento das dores, da presença que pode preencher a ausência que vem de fora, de um ser que sue saiu do nada, que apenas surgiu por mágica para integrar os cacos das parcas recordações restantes e, simbolicamente, transformá-las num objeto palpável, num talismã que lhe eleve o tronco, aumente seu horizonte e lhe firme os passos.


Publicado na Gazeta de Santo Amaro (São Paulo – SP)
Sábado 04/05/1991

terça-feira, 11 de outubro de 2011

MEU ANJO (TAMIRIZ)


Sou o anjo amado e tanto esperado
Que por tão pouco tempo esteve ao teu lado
Também lutei para estar contigo agora
Mas estava em meu desígnio... E fui embora.

Chorei tuas lágrimas, /sei/ de tanta saudade
Povoei teus sonhos em busca de afago
Tentei entender essa nossa realidade
Algo que suprisse a falta de teu abraço

Por tempos, a tua tristeza entristeceu-me
Mas uma intensa luz veio e socorreu-me
E permitiu que a ti eu também reluzisse

Acalmou e abrandou a falta desse amor
Entre mãe e filha, ainda que não se vissem
Porém sempre juntas, unidas pela mesma dor.


Mônica Pamplona.

MISSANGAS ( QUADRAS FEITAS PELO MEU AVÔ)



Quer alguém saber dos traços
de quem MISSANGAS escreve.
_Sou feio, velho, estouvado,
cabeça cheia de neve.

Vim da fase em que os amores
eram caixas de segredo
_A moça, um sonho florindo
entre cortinas de medo...

Um beijo, quando exigia
de rogas e sobressaltos
_Hoje o beijo é como a folha
que o vento põe nos asfaltos

Por isso, comparo os tempos
e, rude, o Tempo me diz:
_Quem amou, se foi amado
nesse tempo, inda é feliz!

TOMÁZ CELESTINO NUNES.

AÇAI


Das grandes viçosas palmeiras
Que germinam e tremulam ao vento
Entre todas, és a encantada
Pelo néctar do teu alimento

Exótica fruta que satisfaz
No realce de grandioso sabor
Gostinho de quero mais
No paladar a todo dispor

Sobremesa rica e majestosa
De real valor nutritivo
Feito suco, com farinha de tapioca,
..._ Ah
 ..._É o meu favorito.

És a Deusa de nossas matas
Semente que nossa terra ara
Fecundas com força rara

...Feitiço de Juçara,
/como te chamam por’ai./
Da Amazônia feito elixir
À nossa mesa em abastança.
O delicioso sabor do açaí.

Mônica Pamplona.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

... EM SEGREDO



Chegastes feito uma brisa



Que se insinua,

acaricia, excita

Despertando o apelo,

em atropelo

Eriçando o pelo

Do sacio entrelaçado

De nossos corpos



Rendendo-se ao vigor

E alivio do prazer

Que nos possuiu

Numa eterna madrugada,

conivente dessa entrega

Consumada!

No segredo vivido

D’uma paixão

Jamais revelada.



Mônica Pamplona.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

MEU REBENTO (TRINCA DE QUADRAS)


Quisera eu pudesse ter
Tantos quantos me fossem concebidos
Todos meus haveriam de ser
Filhos assim, tão queridos.

E no exaltar da sabedoria
A vida premiou-me com essa surpresa
O meu cordão cortado de ti seria
Mas nosso coração é um só,  /com certeza/

Agradeço a dádiva desse afeto abençoado
Pois meu príncipe, /cresceu/ agora é rei
Vivemos nesse mundo encantado
Onde o amor de mãe e filho realiza o que sempre sonhei.

Mônica Pamplona.

ÁVIDO DESEJO


Corre em minhas veias
.......queima feito fogo
Umedece...
 pouco a pouco!

No instante seguinte
Estou a desfalecer
Ahh,...
Em total gozo

Fria sensação
De desejo,
...Solitário
/solto/


Percorre meu corpo
Utilizo das mãos
Sacio em êxtase
Esse prazer louco!

Mônica Pamplona.

BEM VINDA SEJA A PAZ...

 



Bem vinda seja a paz
Regressada ao nosso lar
Banindo sofrimento,
de um veneno a nos envenenar

Juro que não agüentava mais
Perdendo-te a míngua,
...Pausadamente

Na imensidão dessa tortura
Devastando nosso amor
No emaranhado de
Nossa loucura!

Abro os braços agora
Recebo teu abraço
E como antes,
vem a vontade de te amar
Nesse acalanto que é capaz
de selar nossa harmonia
Onde,
 -Finalmente reina a paz.

Mônica Pamplona.